Não existe GENTILEZA em São Paulo

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Mano e eu estávamos conversando sobre o quanto falta gentileza aqui em São Paulo e eu me lembrei daquele dia que fui para Itanhaém com Alice. Caramba! COMO eu me senti sozinha aquele dia no meio dessas milhões de pessoas que existe aqui.

Decidi ir de transporte público para lá. Pedi um táxi para ir até o Metrô. O motorista parou em um lugar proibido e eu tive que descer carrinho de Alice, mala pesado 3 toneladas e ela e tudo isso em segundos por que ele precisava sair logo e ele não teve a gentileza de descer para me ajudar. Seria bom para todos no final.

Precisei ir no banco sacar dinheiro. Por causa do carrinho, entro pelo elevador acessível. Eu lá me matando para segurar a porta, enfiar o carrinho, depois segurar a porta de novo para sair com o carrinho. Era horário de pico. VÁRIAS pessoas passando do lado, vendo e não teve UM para ajudar.

Já no metrô, também por causa do carrinho, tenho que pegar o elevador, que fecha a porta super rápido. Mano, tinha uma fila e as pessoas tinham as manhas de passar na frente, inclusive de idosos e pessoas que pelo menos aparentemente, não tinha motivo para estar usando o elevador que é para deficientes, gestantes, idosos, etc. Eu fiquei muito chocada com isso.

Educada que sou, espero as pessoas saírem do trem para eu entrar e pelo menos na minha cabeça existe sempre uma fila isso. Eu não conseguia entrar por que as pessoas passavam na minha frente e ainda por cima ficavam na frente da porta, nem pedindo licença eu conseguia passar, resultado: perdi vários trens.

Chego na rodoviária, o elevador está interditado e só tinha UM elevador numa rodoviária enorme. Como é que eu ia subir com o carrinho, Alice (que dormia) e a mala? Encontrei um segurança, que ao invés de me ajudar a subir o carrinho pela escada, disse para eu subir com ele pela escada rolante (que é proibido em qualquer lugar subir com carrinho), mas o que eu ia fazer, não é mesmo?

Comprei as passagens. Tenho que descer a bagaça toda por que os ônibus ficam lá embaixo. Pedi para uma pessoa me ajudar por que não tinha escada rolante para onde os ônibus ficam estacionados.

Fila preferencial para entrar no ônibus: não existe e ninguém tem a moral de chegar para um idoso ou uma grávida e falar que eles podem passar na frente. As poltronas são marcadas, qual o problema em esperar um pouco mais e entrar depois?

Na hora de subir no ônibus, outro problema. Deixei para entrar quase por último por que parece que eu já estava adivinhando as próximas cenas. Eu não tinha como deixar as coisas no porta malas e subir só com Alice por que eu ia descer antes da rodoviária e é perigoso abrir o porta-malas do ônibus na estrada. Super ok até aí. O que me deixou p da vida foi que o rapaz que estava recebendo as passagens disse que eu podia ficar a vontade para subir as minhas coisas no tempo que eu precisasse ao invés de se oferecer para me ajudar, afinal, eu estava com uma criança. Eu deixei as minhas coisas na porta do ônibus, deixei Alice sozinha no banco e voltei mais duas vezes para pegar as minhas coisas. Preciso citar as merdas que poderiam ter dado? Acho que não, né?

Aí chega a hora de descer do ônibus, já lá em Itanhaém. Tinha umas seis pessoas no corredor esperando para descer sendo que o ponto delas estavam muito longe ainda. Eles voltaram para os seus lugares para eu descer com Alice e as minhas coisas? Não! Só chegaram a bunda para mais perto dos bancos e abrir um pouco mais a passagem do corredor. Alguma delas se ofereceu para me ajudar a descer as coisas? Não! A mesma coisa que eu fiz para subir no ônibus, tive que fazer para descer do ônibus e pior: com chuva. Duas dessas seis pessoas eram policiais militares sendo que um deles era uma PM (mulher, eu esperava, no mínimo, sororidade). O motorista, maravilhoso, parou longe do ponto e tomamos, minha mãe, Alice e eu, chuva na cabeça até lá.

Essas coisas acontecem todas as vezes? Não! Talvez tenha sido um dia MUITO azarento mesmo, mas nossa! Como me chateou. Não sei se é por que eu não sou assim, sabe? Aonde eu passo eu tento ajudar as pessoas de alguma forma, elas nem precisam me pedir. O que me custa? Uns minutos a menos? O que isso muda na minha vida? Nada. Na verdade, me sinto bem em ajudar.

Noto que há como existir mais gentileza pelo mundo, mas é difícil o outro deixar de olhar para si para olhar um pouquinho para o outro e isso é bastante triste. Talvez seja o motivo de estarmos caminhando tão devagar.

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