Sessões de cinema adaptadas para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo

criança no cinema

Já levei Alice ao cinema algumas vezes mas mesmo filmes feitos especialmente para crianças pequenas como o da Peppa Pig as botas de ouro e outras histórias e o Galinha Pintadinha Mini na telona, ela ficava inquieta devido ao distúrbio sensorial que ela, como autista, tem. Em filmes como os da Disney, por exemplo, a inquietação chegava ao ponto de ela não conseguir ficar sentada na poltrona.

O grau de autismo de Alice, até aonde é de nosso conhecimento, é leve, as pessoas ainda não percebem muito se a gente não comenta. Por ela ser ainda muito pequena, a inquietação acaba parecendo mais agitação de uma criança que não tem saco para ficar sentada mais de uma hora na poltrona do cinema, como acontece com várias crianças típicas. A gente nem sente muito desconforto ainda com outras pessoas nesse tipo de lazer ou tem que ficar explicando nada.

Mas de qualquer forma já tem um tempo que não levamos ela ao cinema por notarmos que ela não se sente muito bem no ambiente. Nos deixa bastante chateados que ela não possa fazer uma atividade que qualquer outra criança pode, sabe? Agora tente imaginar como é para autistas de grau mais elevado? Autistas mais velhos? E para as famílias? Que a barra é muito mais pesada? Que tem muitas outras coisas pra lidar além da inquietação? Complicado, né? Isso faz com que muitos deles nunca nem tenham pisado os pés no cinema. Você tem noção disso?

Uma amiga me mostrou ontem o Sessão Azul, um projeto muito bacana idealizado pela Carolina Salviano de Figueiredo – Mestre em Psicologia Clínica e pela Bruna Manta – Psicóloga que tem como objetivo tornar a experiência de ir ao cinema confortável divertida para os autistas e seus familiares, com sessões adaptadas, ou seja, não são exibidos trailers comerciais – a menos que já façam parte do filme, a sala fica com as luzes acesas o tempo todo, o som fica mais baixo, é totalmente liberado o transitamento pelo ambiente e quem quiser pode cantar, dançar, pular, gritar a vontade. Ali, a minoria é quem não tem autismo 🙂

Esse lazer acaba funcionando também como uma espécie de treinamento para os autistas na adaptação ao ambiente do cinema e uma extensão ao trabalho terapêutico realizado com eles. Através de profissionais devidamente capacitados, é feito o acompanhamento e a orientação às famílias sobre como lidar com as dificuldades de adaptação da criança ao novo ambiente, permitindo que auxiliem diretamente nessa ambientação.

As Sessões Azuis acontecem em cinemas no Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Vila Velha, Goiânia e Brasília, e em breve será expandido para outros estados. Acompanhe a programação aqui.

Certamente levarei Alice em uma próxima oportunidade 🙂

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