Introdução alimentar com respeito, empatia e acolhimento

Com 6 meses o Miguel pegou um resfriado de 3 dias, havíamos iniciado a introdução alimentar e, muito embora estivéssemos oferecendo comida a um bebê que apresentava sinais claros de que estava pronto para comer, como sentar sem apoio desde os seus 4 meses, se interessar em alcançar os alimentos, pegá-los com as próprias mãozinhas e levá-los até a boca.

Muito embora estivéssemos oferecendo alimentos frescos, orgânicos, cortados de maneira a facilitar a pega, cozidos de maneira nem tão mole e nem tão dura, apresentados como o BLW prescreve…

Muito embora tudo isso… ele NÃO ESTAVA PRONTO! Ele colocava na sua boca e cuspia, brincava mas não engolia.

O que eu lembro claramente que ele tomou com vontade foi o CHÁ DE GENGIBRE que eu ofereci na minha própria caneca, “nesse grau de intimidade”, e ele tomou muito, tomou metade!

Aquele episódio com o chá de gengibre me ensinou muitas coisas: – ensinou que ele seca a umidade interna e cura resfriados.

– ensinou que o paladar de um bebê aceita todos os sabores… desde que ele PRECISE.
– sim, o Miguel, com 6 meses, amamentado exclusivamente com o meu leite até então, havia atingido o seu potencial, era um bebê imenso, gigante, de 9kg.
– ele, simplesmente, não comia porque não precisava comer.
– ele precisou do chá de gengibre e por isso o tomou.
– ele estava profundamente conectado com a sua natureza, com o seu corpo, com as suas necessidades.

Veja bem, tem algo importante em ser mãe: a oportunidade à flor da pele de praticar a empatia, o respeito, o acolhimento.

Eu pensava pela sua ótica, respeitava as suas decisões, acolhia a sua maneira de descobrir o mundo.

E, quebrando ciclos, me abraçava com a frase: tá tudo bem, tá tudo em paz, eu estou fazendo tudo certo, a boca é dele, o estômago é dele, tá tudo certo!

Continuei com o meu papel de oferecer diariamente a comida pra ele, sem grandes pretensões… rolava uma provadinha daqui, uma degustaçãozinha dali, uma sujeirada cabulosa até que, como um filhote de humano que era, com 9 meses, agora sim engatinhante, despertou para comer, não em grandes quantidades, eu sei bem, mas o bastante – do verbo bastar.

Camila Précoma é coach e mãe do Miguel. Slow Parenting. Inspira o despertar para uma maternidade consciente.

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