Mude o livro

Por quantas e quantas vezes você já não pegou-se sozinho, ouvindo suas músicas no modo aleatório ou em silêncio, olhando para o nada e pensando profundamente? Pensando no quão cansada(o) está. Do tempo perdido, das tentativas em vão, das lutas e dos esforços, da insistência para se manter no mesmo livro, para ter a esperança de que a página a seguir é melhor, que a página a seguir valerá a pena? Saia dessa, o mundo em que vivemos hoje não permite isso, o mundo e as pessoas que nele vivem hoje não reconhecem nossas tentativas, nossas demonstrações, nossas verdades e nosso interior. Virar a página é pouco para você, para nós. Mude o livro.

Mude, pois a vida é curta demais para se prender e se esgotar com quem não merece os seus olhos, seus pensamentos, seu coração e sua alma; seus arrepios e sonhos, seus medos e defeitos. A vida é curta demais para ler um livro que não te tira do chão, que não te faz suspirar, que não te faz sonhar e que nao há reciprocidade e verdade; que nao tira o melhor de você. As vezes temos que nos reinventar, temos que nos reescrever e recomeçar.

Mude, mas nao esqueça desses livros que ficarão para trás, para o passado. Esses livros, essas pessoas, faz com que aprendamos, faz com que criemos uma base da interpretação futura dos que virão, do que virá e esperemos que seja pra ficar e ser o nosso best seller. Que seja o best seller da nossa estante da vida. Afinal, as experiências, sejam elas boas ou ruins, formam o que somos hoje.

Mude e se desapegue. É necessário se desapegar de páginas antigas, de caminhos já percorridos e que não nos levarão a mais lugar algum. É facil? Não, não é, mas é preciso. É preciso mudar, sair da zona de conforto e do comodismo. Sair dessa estrada da futilidade, do egocêntrico, do status social, dos crushs, dos likes e da rapidinha. É necessário coragem para ir ao caminho inverso da maioria das pessoas que conhecemos hoje em dia, das pessoas que precisam se sentir importantes, que precisam jogar para quem corre mais atrás, para quem manda mensagem, e para quem demora para responder ou simplesmente te deixam no vácuo eterno, afinal, você não serve mais e alguém melhor ou mais bonitinho ou riquinho irá aparecer. Triste mundo das pessoas (in)felizes e (in)completas.

Ouse. Ouse ao se colocar nas páginas vazias e em branco de um novo livro. Ouse e não se arrependa. Aprenda. Essa pode ser um preço que as pessoas intensas pagam. Ouse, pois existem mil e uma possibilidades, uma infinidade de descobertas te esperando, te esperando de braços e peito aberto. Se arrependa daquilo que fez e nao daquilo que pensou em fazer. Não se acomode com o que não te faz bem, com quem não te faz bem e com quem não enxerga o melhor de você, o melhor da sua pureza e da sua essência, do seu caráter. Não se acomode e não aceite menos do que merece ter.

Ouse, mas nunca esqueça do seu amor próprio. Nunca esqueça do seu valor e de quem você realmente é. Prefira estar sozinho do que receber as migalhas que muita gente insiste em se alimentar, em se contentar. Enquanto o seu novo livro não vem, aproveite sua companhia, realize seus sonhos, enfrente seus medos, ouça suas músicas, saia com seus amigos e viva. Viva e você terá um novo colo, um novo abraço, um novo olhar, um novo lugar, um novo lar. Sincero e bonito lar.

Hora ou outra você sentirá, de dentro pra fora, que valerá a pena abrir mão da solidão agradável e que um livro antigo te colocou, para se entregar e embarcar em uma nova e linda história; com mais afinco, mais sabedoria, mais malícia e mais amor e que te fará intensamente feliz. Mude.

Leonardo Kronemberger

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