Não case se a relação é só feliz: tem algo errado!

Se o namoro não teve nenhuma discussão, não enfrentou nenhuma separação, não aguentou nenhuma fossa, não enfrentou nenhuma adversidade profissional ou de doença, se tudo é maravilhoso e alegre, calmo e tranquilo, sem sobressalto, jamais case.

Namoro perfeito desencadeia separações trágicas e irreversíveis. As imperfeições são preventivas, desenvolvem uma noção de verdade para não cobrar em demasia e respeitar os limites do outro.

Você não casará somente com as qualidades de seu par, portanto, precisa também se preparar o quanto antes aos sentimentos ruins, tais raiva e angústia, para no futuro não estranhar e se manter junto.

Uma relação muito correta não é a certa. Há grandes chances de se separar logo na primeira crise. Quem se encontra apenas em lua de mel depois não aguenta o trabalho árduo debaixo do sol.

É fundamental experimentar desgostos dentro da convivência para aprender a desarmar defeitos e diferenças.
Encanto que se perde de supetão é traumático. A impressão é de profundo engano: que se relacionou com um impostor e não sabia com quem lidava.

Aconselhável uma briga no decorrer dos laços para se habituar ao lado sombrio da força do amor e encontrar formas de iluminá-lo.

Um casal excessivamente feliz não contará com resistência e anticorpos para assumir as tristezas. Quedará no início das dissidências. A decepção será maior porque não foi antecedida de pequenas frustrações. Tampouco o par se fortalecerá trabalhando a intimidade e a empatia na superação dos contratempos. Estará fora da realidade, numa idealização difícil de regressar a sós.

Fabrício Carpinejar é escritor e jornalista. Enquanto muitos se elegem como último romântico, ele se declara como o primeiro. Afinal, faz tempo que se prontificou a entender o amor em suas crônicas e poesias. Aqui você tem sua versão escrita, mas você pode conferir a sua versão falada em vídeos no YouTube: http://bit.ly/2sAu6xB

1 Comment

  1. Tão perfeito isso pra mim 🙂

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