A rua é uma escola para pessoas autistas

Você que é típico e não convive com alguém atípico talvez nem imagine, mas a rua é uma escola para todos nós. Repare que ao sair de casa você precisa seguir uma série de coisas que nem percebe mais, só faz. Cuidar de suas coisas, se atentar aos perigos, esperar o momento certo de agir, são algumas delas. Parece algo simples de se fazer, né? Mas acredite: pode ser muito complexo para quem é autista, por exemplo.

Nós aqui em casa temos consciência dos privilégios de nossa família e nem sempre isso é bom. É raríssimo Alice andar a pé. Transporte público como ônibus, trem, Metrô, etc, é quase um evento para ela. E morando no litoral agora, piorou ainda. Seria incrível ela ter mais acesso a essas coisas, mas como ela não tem, fiz o que estava ao meu alcance: passei a andar a pé ou de bicicleta com ela pelas ruas do bairro. Fiz disso parte de sua terapia. Ela adora e inclusive já pede.

Agora que ela obedece quando chamo, passamos a brincar na rua também. A nossa rua é bem tranquila, daí facilita um pouco minha vida agora. Depois podemos começar a explorar lugares mais movimentados.

Essa foto foi do dia que levamos a bola. Era responsabilidade dela lembrar dela e do chinelinho (que ela conseguiu andar sem aquelas tiras no calcanhar apenas esse ano) para não perder. Precisei lembrá-la algumas vezes, mas ela vai chegar lá.

Ela ainda se empolga e se eu descuidar, vai embora sem rumo e sem olhar pra trás. Ainda precisa de bastante treinamento. Mas está dando muito certo. Nos divertimos bastante sempre e faremos muito ainda.

Passear a pé e brincar na rua são atividades que não custam nada e certamente ajudarão muito sua criança especial a ser um pouco mais independente (quem sabe totalmente no futuro, né?). Só tenha em mente que é bastante cansativo e a tensão é gigantesca, mas vale a pena demais!

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