Coragem é agir com a razão

Há quem diga que corajosas são as pessoas que agem com o coração. Eu discordo. Arrisco até dizer que agir com o coração é uma forma “preguiçosa” de viver a vida, pois é muito mais “fácil” não pensar. É só deixar tudo acontecer e pronto. O curso “natural” das coisas é justamente optarmos pelo coração, pois é um sentimento tão forte que se sobressai a qualquer coisa. A gente não pensa, não analisa, só vai, é guiado pelos acontecimentos, não toma decisão de nada.

A consequência disso, infelizmente, pode ser se frustrar e sofrer. O coração – quase – sempre erra!

Tenho certeza que você conhece alguém que é apaixonada por uma pessoa que não a valoriza, não cuida, não se importa, maltrata, entre outras coisas, e obviamente sofre por tudo isso, mas não larga essa pessoa. E você pensa: como diabos ela se sujeita a essas coisas? Simples! Ela está deixando o coração comandar a situação e está cega ou dependente emocional, pois é isso que o coração faz com a gente.

Há alguns anos vivi uma situação muito complicada com alguém que eu confiava mais que tudo nesse mundo. Essa situação me desencadeou uma raiva que eu nem sabia que tinha dentro de mim. Se eu agisse com o coração, teria cortado qualquer tipo de relações com ela, mas parei para fazer um exercício – que eu acho importante todas as pessoas fazerem ao se relacionar de uma forma mais profunda com outra, seja romanticamente, como amigo, como família – e conclui que o que ela fez comigo foi algo de momento, ela não ERA aquela pessoa. Portanto, valia a pena ser perdoada e se manter em minha vida.

Esse exercício é muito simples e você também pode fazer, existindo ou não uma “crise” em sua relação:

1 – Pense: o que é de extrema importância para você em suas relações? Empatia? Proteção? Carinho? Confiança? Honestidade? Transparência? Liste o máximo de coisas que você conseguir.

2 – O que é inaceitável para você em suas relações? Traição? Mentira? Omissão? Grosseria? Machismo? Joguinhos? Liste também o máximo que puder.

3 – Como essa pessoa que você está se relacionando age com você na maior parte do tempo, considerando essas duas listas?

4 – Como essa pessoa faz você se sentir na maior parte do tempo? Você deita a cabeça no travesseiro em paz à noite? Ela te dá segurança? Faz você se sentir uma pessoa protegida? Amada? Cuidada?

5 – Como ela *É* como pessoa? Como ela tem costume de se comportar com você e com as outras pessoas? O que dizem sobre ela para você? O que você sabe que ela faz quando ninguém está “vendo”?

6 – Qual é o mood dela nesse momento? Como ela ESTÁ sendo? O que ela te fez é algo que ela tem o hábito de fazer ou foi um episódio isolado?

Fazer essa “análise” deixando de lado o coração e racionalizando os sentimentos, vai te responder se vale ou não manter essa pessoa em sua vida e em que nível, independente de quem seja. Acredite, eu já fiz esse exercício até com família e foi algo muito libertador.

Parece algo complexo de ser feito mas, com o tempo, se torna mais prático e te poupa de passar por tantas situações ruins, que roubam sua energia, seu amor próprio, sua paz, que te faz sofrer, chorar, viver com angústias, com aquelas dores que chegam a ser físicas, de um sentimento que talvez só você tenha.

Às vezes nos apaixonamos por alguém, deixamos o coração tomar conta da situação e não vemos coisas tão óbvias, daí sofremos à toa, sabe? Quando passamos a analisar com a razão quem a pessoa é e como ela faz nos sentirmos, podemos ver que não é alguém para nós. Isso pode ser bastante doloroso, difícil de aceitar, abrir mão e seguir, mas no final é o melhor que podemos fazer por nós mesmos, por nossa saúde mental e emocional. 

Coragem é agir com a razão, quando o coração diz o contrário! Pois não é fácil abrir mão de alguém que gostamos, que é ou foi importante para nós de alguma forma, quando é necessário.

Experimente fazer esse exercício! Tenho certeza que a partir disso, você só terá relações de qualidade em sua vida e vai se frustrar e sofrer muito menos. Não se espante com a quantidade de pessoas que sobrarão, e lembre-se: tudo é semente e, quanto menos coisas e pessoas para lidar, melhor a gente administra tudo!

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