Um reencontro pacífico comigo mesma

Eu já fui MUITO intensa e reativa. Dessas pessoas de pavio super curto; que “levam um tapa” e nem pensam antes de revidar; que discutem na mínima oportunidade; que não levam desaforo para casa e dão uma boiada para não sair de uma briga. Mas o tempo – ou a maturidade, quem sabe – foi me tornando uma pessoa mais … pacífica, eu diria.

Hoje dou um boi para não entrar numa briga. Não gosto de discussão – principalmente com ânimos alterados; não quero conversar quando estou mal de alguma forma (chorando, nervosa, irritada, etc). Há situações em que preciso e prefiro me recolher para refletir e filtrar antes de falar e agir – pois é muito fácil dar merda com o mínimo de motivos, quando a gente não pensa. Depois desse “exercício”, quantas coisas a gente percebe que não vale a pena dizer, seja por não ter a importância que a gente achava que tinha no calor do momento, seja por algum engano nosso, por não poder mudar nada, por exemplo?

É claro que não sou assim 100% do tempo. De vez em quando a intensidade da Viviane do passado me invade, mas na maior parte do tempo me mantenho sossegada e só conseguem me tirar do sério com coisas específicas (e ainda depende de qual pessoa faz isso).

A energia que economizo com esse tipo de coisa, posso investir no que me faz bem e focar no que realmente importa para mim. É por isso que tem coisas e momentos em que eu simplesmente não discuto. Só tiro meu time de campo e pronto.

“Ah! Mas você não dá oportunidade do outro explicar, dar a sua versão dos fatos?”

Depois que eu me organizo posso até fazer isso, dependendo do quanto essa pessoa significa para mim, e isso se ela tiver interesse. Eu não tenho costume de ir atrás e pedir satisfação depois de tomar uma de alguém. Quando a pessoa faz algo de errado com a gente, na maioria das vezes ela SABE que fez, ninguém precisa dizer. E aí cabe a ela querer ou não consertar as coisas se a gente significa algo para ela. Ninguém que gosta de verdade da gente deixa a gente ir fácil demais.

Hoje me chamaram de Seu Saraiva – um personagem do Zorra Total, um programa de humor da TV Globo. Seu bordão, que ficou famoso, era “tolerância zero” com as pessoas. Confesso que ultimamente tenho estado muito assim, mesmo, mas não me arrependo. Esse tem sido um ano muito importante para que eu possa filtrar algumas pessoas da minha vida.

Estou vendo que vai chegar uma hora em que eu vou olhar para os lados e não encontrar mais ninguém, mas quer saber? Tudo bem! De que adianta estar rodeada de pessoas que na primeira ou segunda oportunidade vão me apunhalar pelas costas? Estou de boa de passar por isso. Quem já fez, pode demorar um pouco, pode ter demorado um pouco, mas vai rodar ou já rodou. E o problema de rodar comigo é que costuma ser para sempre. Nunca mais será a mesma coisa, nunca mais terão a Viviane de antes – e nesse caso não importa quem seja.

É por isso que quando prevejo algo ruim vindo, e acho que a pessoa vale a pena, alerto: cuidado! Não por chantagem ou ameaça. É só um aviso de que eu posso ter cara de idiota, mas sei quais são os meus limites, sei até onde posso ir e, quando não dá mais para mim, já era. Quando perceberem, não estou mais ali.

Há quem diga que isso é uma característica de quem “evita conflitos”. Pode até ser, de certa forma é. Mas é também uma forma de me proteger. O fato é que eu não fujo de todo e qualquer conflito, eu apenas escolho aqueles que valem a pena.

No fim das contas eu acho que essa é uma atitude saudável. Eu evito muito conflito. Não somente com relação à pessoa em si, às vezes eu evito um, acolho outro, com a mesma pessoa. Às vezes é uma questão de tempo, de lugar, de assunto. Tem hora que simplesmente não vale a pena, não faz sentido.

Mas eu também erro. Foi com a intenção de evitar conflitos que eu fiz umas merdas esse ano – das quais não me orgulho nem um pouco. Houve fase em que eu nem me reconheci mais, por passar a fazer coisas que iam contra quem eu sou de verdade (e aí, para manter, né? rs).

Hoje percebo que finalmente estou acordando, voltando a enxergar as coisas como deveria, retomando as rédeas da minha vida e sendo, de novo, quem eu realmente sou e isso me dá um alívio imenso.

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