Ex não precisa ser inimigo

Esses dias vi um post de uma mulher falando que o namorado tem amizade com a ex-esposa (eles tem uma filha juntos) e como se não bastasse, ele queria que houvesse proximidade entre todos e ela estava muito desconfortável com tudo isso.

Vivi algo parecido anos atrás. A amizade entre Manoel e a ex era dessas de conversar de vez em quando sobre a vida e saírem com a criança quando havia oportunidade. Eles sempre se deram muito bem durante o casamento que durou bons anos, sempre se respeitaram, o término foi em paz e por diferenças que fizeram o sentimento homem x mulher mudar, então não havia motivo de ser diferente não estando mais juntos, não havia motivo pra não se falarem mais ou se odiarem, como acontece com boa parte dos casais.

Manoel não era pai biológico da criança, ela tinha poucos meses de vida quando eles começaram a namorar, mas ele fazia questão de pagar pensão e o que mais ela precisasse. Não moravam mais no mesmo estado mas estavam em contato constante pra falar sobre a menina, quando ele viajava pra lá (a família toda dele é do mesmo estado que a ex) ia na casa delas, pegava a criança pra passear, pra viajar com a gente, enfim.

Eu sentia um misto de estranhamento e admiração com tudo isso. Estranhamento por ser uma situação extremamente rara na sociedade em que vivemos. Me lembro da minha família pesar muito na minha cabeça por causa de tudo isso. Achavam um absurdo e que eu não deveria aceitar. Influenciada, várias vezes me senti bastante confusa. Mas eu pensava que devia ser bacana ter um ex assim e também poder contar dessa forma com alguém. Depois que tive Alice, aí que pensei mais ainda nisso mesmo (ele fazia mais que o próprio pai dela).

Eu não sentia a insegurança que as pessoas normalmente sentem, que é aquela de ser substituída, aquele medo de os dois ficarem ou voltarem. A historia do término deles e a forma como principalmente ele se comportava em meio a tudo isso me dava tranquilidade. Fora que se fosse pra eles ficarem ou voltarem, nada do que eu fizesse ou sentisse ia impedir, então eu curtia o momento ao invés de me desgastar e desgastar com algo que nem aconteceu ainda e que independente de qualquer coisa não estava ao meu alcance.

Acho de extrema importância a gente observar bem como quem está com a gente trata as pessoas, inclusive as do passado (considerando o contexto, claro). Isso mostra muito sobre quem ela é e como ela pode ser com a gente se um dia formos ex. Claro que cada caso é um caso, cada história, cada pessoa é diferente, mas dá pra ter uma boa base.

Não acho que nesse caso ela tenha que conviver com qualquer pessoa se não está confortável pra isso, afinal, nossa saúde mental vale mais que tudo nesse mundo e é óbvio que não estando bem o suficiente pra isso, vai dar merda em algum nível, mas vale refletir sobre esse desconforto, se perguntar por qual motivo ela está sentindo assim, qual é o seu receio, etc, e aí conversar pra alinhar as coisas. Foi isso que eu sugeri pra ela.

A ex do Manoel mesmo nunca me disse nem um “oi”. Ela não se sentia confortável para isso e tudo bem. Sempre respeitei, nunca forcei a barra de nada, fiquei na minha e deixei ela a vontade. Se um dia ela falasse comigo, eu falaria normalmente, como já aconteceu com outras pessoas do passado dele, algumas viraram até amigas. Normal. Passado é passado.

Se você não aceita um relacionamento saudável e de amizade entre exs e seus filhos, talvez você precise se relacionar com pessoas que não tem esse “histórico” ainda, até você sentir que agora pode “enfrentar” essa (quanto mais velhos vamos ficando, mais difícil ter um cenário diferente desse). Se você está com alguém que não aceita de jeito nenhum que você tenha esse tipo de relacionamento, talvez essa pessoa não esteja preparada para se relacionar com você. É preciso encarar a realidade por mais triste que seja.

Em muitos momentos de nossa vida vamos nos ver frente a situações em que precisaremos fazer escolhas difíceis e acredito que a felicidade de nossos filhos precisa ser prioridade sempre que possível. O que eles vivem enquanto crianças molda o adulto que eles serão amanhã e é bom pensar com carinho sobre isso e se a pessoa que você está pensa dessa forma também, levante as mãos para os céus e agradeça rs

É bom para a criança pelo menos de vez em quando estar com os pais juntos, seja em um passeio, uma viagem, uma festa, um café da tarde, um filme, uma pizza… Se todos puderem se juntar então (pai com seu relacionamento atual, mãe com seu relacionamento atual), perfeito! Raro? Sim! Mas não acho impossível pensando que todos são adultos, né? E teoricamente maduros.

Depois da minha sugestão à ela, me responderam sobre quererem ter essa maturidade que eu tenho. Não sei se é só isso. Acho que vai muito de autoconhecimento. Invista parte de seu tempo em autoconhecimento e muitas coisas em sua vida serão diferentes.

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